terça-feira, 15 de agosto de 2017

Coisas inadiáveis



Há uns dias estava saindo com um cara bem legal. Não cheguei a me apaixonar e certamente ele também não. Numa de nossas conversas por mensagens de celular no meio da semana falei que eu queria vê-lo logo, se possível na noite daquele dia. Ele perguntou-me o porquê, o que faríamos.

- Coisas inadiáveis. – respondi.

Dias depois nos reencontramos, no fim de semana. Eu estava de carro e com fome, pensei em pegá-lo para irmos comer algo e termos uma conversa boa, cheia de risadas e olhares. Ele entrou no carro, mas não quis ir para algum lugar. Preferiu ficar ali me olhando na escuridão do carro. Achei estranho, não era isso o que eu esperava. Então eu o abracei quando me perguntou se eu estava com saudades. E sim, eu estava. Muita. E não via o porquê negar o que sentia. Não sei ser morna, ser meio termo. Não sou assim. Ou sinto, ou não sinto. E independente do que sinto, digo, assumo riscos. Então eu disse.

- Estava com saudade de você, desse cheiro no teu pescoço, dos teus braços.

E falar isso foi como ligar algo nele que o fez sair do controle sexual que eu achei que ele teria comigo. Era sábado, noite, e eu esperava um encontro divertido regado a risadas, me via então dentro da escuridão do carro com alguém totalmente diferente do que eu havia conhecido na semana anterior. “Esse cara tá doido?!” – pensei, mas deixei passar. No entanto eu recusei qualquer tentativa dele de querer estar e fazer comigo algo que eu não queria. Que nunca quis com ninguém, ainda mais dentro do carro.

Diante da minha insistente recusa, ele, o cara doido que eu achava que seria um cara legal, questionou-me sobre o que durante a semana falei: quero fazer coisas inadiáveis. Que coisas inadiáveis, então, são essas?

Eram coisas simples, mas que me dão um prazer imenso e intenso. São coisas que as pessoas já não valorizam mais. Coisas que a humanidade tem adiado: uma conversa boa dos assuntos mais frívolos aos mais polêmicos; a felicidade na simplicidade; a paz; o abraço; o olho no olho; o toque das mãos; compartilhar uma refeição; admirar o por do sol e o surgir da lua; uma viagem de última hora. Mas estão trocando por coisas adiáveis e momentâneas: vulgaridade; instinto; prazer; pele.

Não logicamente, ele achou muito, muito idiota a minha definição do que eu acreditava ser inadiável, disse-me em tom de acusação que eu o deixei na expectativa de uma transa, meio que dizendo que eu o enganei. Aí, meu bem, foi que eu me dei conta que o idiota era ele e que eu fui enganada por aquele jeito aparentemente cavalheiro do nosso primeiro encontro. Eu me dei conta de como eu confundi modismo com cavalheirismo.

Eu não era obrigada a fazer o que ele queria, não era obrigada a fazer o que eu não mencionei que queria só porque ele criou suas próprias expectativas. Um encontro com um idiota deve ser sempre uma coisa adiável.



Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O outro lado da distância


Os músculos se contraem, o coração acelera, a respiração fica ofegante, as pernas bambeiam, os braços ficam firmes para um abraço, os lábios gelados tocam outros lábios, as lágrimas vêm aos olhos, a despedida sai da boca, as lágrimas escorrem pela face.

A despedida não é nada fácil.

Assim que esses sintomas surgem e eu dou as costas para meu amor, indo embora, fecho os olhos com força, respiro fundo e engulo algumas gotas de lágrimas que correm pelo meu rosto. Eu nunca tive emocional para despedidas. Enquanto estou naquele abraço apertado, relembro a primeira vez que nos vimos, nosso primeiro beijo, passeios, declarações. Depois, a janela do ônibus ou do avião é testemunha do meu sofrimento.

A verdade é que toda vez que me despeço, meu coração bate mais devagar, tristonho, com saudades. As fotos no celular e as lembranças de cada detalhe me acompanham todos os dias até a próxima vez que nossos corpos se juntarão. Mas parando para pensar, mesmo com todo o sofrimento, a distância não é tão inimiga assim.

Na primeira vez que me despedi, pensei que as coisas não seriam do mesmo jeito, que o sol não ia brilhar da mesma forma e as estrelas não teriam a mesma magia. Achei que a vida ia destruir meus bons sentimentos e instalar em meu coração uma tristeza devastadora, mas não foi assim.

Foi na distância que eu notei que o brilho do sol continua o mesmo, mas com você ele fica especial. Que as estrelas têm a mesma magia, mas ao seu lado meu fascínio por elas é maior. Que a vida me trouxe sim a tristeza, mas, ao mesmo tempo, ela me fez enxergar o quanto estar ao seu lado é importante. Foi conversando por redes sociais, há centenas de quilômetros, que eu descobri que minha vida só faz sentindo se tiver você. E que a distância é apenas um detalhe para o amor.

Às vezes e para algumas pessoas a distância serve para enxergarmos o que não enxergamos pessoalmente e para dar valor àqueles que amamos e sentimos tanta falta.

Para mim, a distância é só mais uma batalha a ser vencida para te amar.


Um texto do jovem escritor pernambucano Matheus José

terça-feira, 25 de julho de 2017

Deveria haver reflexão no título



Se um dia eu parecer loucamente determinado é porque cansei de esperar. Eu dei tanta brecha pra pessoas que eu não devia confiar, amei tanto e senti pouco de volta. 
Que vida é essa em que eu só me ferro? Vai chegar o tempo em que isso acaba? 
Deus, olha aqui para mim.
O café está tão quente que os dedos queimam na xícara amarela. Eu queria um daqueles cafés que parecem uma obra de arte para alegrar meu dia, esquecer a saudade e pegar a energia da minha parceira de vida cafeína. Esse deve ser mais um dia de merda em que terei de sorrir e ser amigável, quando queria continuar na escuridão do meu quarto com minha maratona de série. 
Será que tem de ser tão ruim assim?
Deus, está olhando para mim?
Tic-tac… Quando foi que passei a exigir demais? 
“Coloca isso para a viagem, por favor”. 
Sempre tive a mania de cobrar muito e fazer pouco. Será que é a síndrome da não aceitação da vida adulta?
Ah, cara! Tenho mais de vinte!
Será que curtir vai me dar algum prazer? Ou “Fique em casa, assim não corre o risco de tomar um tiro na cara” é a melhor opção? Ô mãe, eu te amo. 
Agora me dei conta do tempo que passou tão depressa. Se eu tivesse percebido antes, teria feito anos se tornarem histórias e não apenas o tempo que passou e eu nem soube aproveitar.


Um texto do jovem escritor paraense Daniel Pantoja

quinta-feira, 29 de junho de 2017

E se eu preferir ir comer coxinha

Imagem do Google.imghp
Espero que não se importe de sair com uma mulher como eu. Que não se importe de sair comigo nas condições que estou. De estar na minha presença no que aparenta ser um encontro mesmo que eu esteja com as unhas por fazer, uma roupa não tão adequada e a aparência tão cansada. 

Espero que não se importe se eu bocejar, se eu gargalhar demais, se sentir um frio demasiado grande. Ah, e que não se importe mesmo de eu estar de havaianas ou de eu preferir ir comer coxinha ao invés de ir comer sushi. 

Eu espero que não se importe de eu ser eu, de eu querer me sentir ‘eu’ ao menos uma vez na vida numa situação como essa. E que não se importe de eu não querer te beijar ou se, de repente, eu querer. É que eu acho que estou chegando aos 30 sem nunca ter tido um encontro decente, e a culpa é minha mesmo, meu medo de eu ser eu e de fazer o que estou com vontade.

Eu só espero sentir-me bem ao teu lado e que esse sentir seja recíproco. E eu não vou me importar se você prefere comer a coxinha pela ponta mais fina, enquanto eu prefiro pela ponta mais grossa. Também não vou me importar se você prefere mostarda enquanto eu prefiro ketchup. Assim como espero que você não se importe se, com meu jeito desastrado de ser, eu derrame o ketchup pela mesa ou o espirre na tua cara, como em cenas de romances americanos.

E espero que não se importe, inclusive, se eu desmarcar nosso encontro em cima da hora.

Contudo, se você se importar com essas coisas bobas, fique certo que pra mim tanto faz, pois eu não estou mais me importando em ser o que não sou. Eu só quero ser feliz.


Um texto de Aline Menezes, criadora do Blog O Quarto de Aline

terça-feira, 20 de junho de 2017

A Canção de Ninar do Incendiário



Quando eu era criança ouvia o que chamavam de canções para dormir. Eu sentava por horas e ouvia as vozes ao redor da fogueira.

“Pequeno incendiário
Não fique parado diante da chama
Ela levará suas cinzas com o vento.
Não se aproxime das brasas
Elas podem marcar tanto quanto as pessoas que passam e ainda passarão na sua vida…”


Eu corria em volta da fogueira todo dia. O fogo era inexplicavelmente atrativo. Se não doesse tanto chegar perto dele, o tocaria para sempre.

A moça cantava - parece que todo mundo podia cantar o que quisesse - olhando-me com olhos brilhantes:

“Tudo o que você tem é o fogo
Porque todo o plano não existe mais.
O que amava agora está destruído
Tudo é apenas assombração.
Você não é mais uma criança
Sabe que todos travamos batalhas;
Não queira terminar a sua com o que tanto ama”.

Foi quando pisei em destroços quentes. Eu vi minha casa em chamas. O que eu sempre amei estava destruindo o que eu pretendia amar sempre. Me peguei dividido. Devastado; sentia o peso de quilos e quilos de terra sobre meu corpo. Carreguei minha dor e deixei em um lugar seguro. Fingi ser forte para seguir em frente, mas morri muito mais vezes que desejava.

“Quando eu tinha menos idade era um completo idiota
Pus gasolina em minhas roupas.
Deitei e aguardei os sonhos
E a vela no chão correu para mim.
Sua paixão é sua sina
E sua sina te consome quando descontrola.
‘Tudo o que você tem é o fogo’
E tudo com o fogo levará ao fim,
Como paixão sem limites
Nunca sem consequências”.


Faz tempo que não me aproximo do fogo. Faz tempo que deixei de ser o incendiário que acabou com tudo o que amava por paixão. O desejo de tudo me consumiu.

As roupas caem no chão e meus pés afundam na neve. Cantarolo na direção do lago quase congelado e em seguida as palavras saem:

“O perdão nunca é suficiente quando as marcas são permanentes.
Tornar-se o oposto do que amava não é se adaptar às mudanças.
O sangue esfria em dias assim, longe da fogueira,
então as cicatrizes congelam.
Ouço as vozes nos ecos do vento gelado:
‘São marcas de agora e de sempre
Nunca reparadas
Respirar é a única saída
Você, pelo tanto que se deixou influenciar por desejo, nunca vai se perdoar ”.


Um texto do jovem escritor paraense Daniel Pantoja

terça-feira, 13 de junho de 2017

Achei que havia te superado

Imagem do site: http://www.maecorujasa.com/2015/11/oracao-gravidas-gestantes.html

Oito meses se passaram e eu já não estava mais nem aí pra nada, nem ‘thum’ pra ti. Estava tão, mas tããão convicta da minha superação que até compus uma música anunciando que eu te superei.
Não demorou muito tempo para que eu constatasse, ao acordar cedinho numa manhã de sábado, que eu na verdade não havia te superado. Ou pelo menos não como eu gostaria. Sei lá, ficou algo meio ‘coisado’ entre nós, né?! Mas eu só me dei conta disso quando naquela noite de sexta tive um sonho tão esquisito.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Namore-se


Vivemos tempos de amores não recíprocos, de sofrimentos emocionais e descaso com o sentimento mais lindo do universo. No século XXI, a geração do futuro esqueceu que amar é viver e que viver sem amar não faz sentido. 

A juventude atual é marcada por números negativos quando analisamos seu lado emocional. Para muitos, um relacionamento abusivo é perfeito. Para outros, um relacionamento sem momentos especiais é normal. E outros, um relacionamento que se baseia em redes sociais basta. Vivendo do abuso, do tédio, da internet, aquela construção cai e só restam feridos. 

Olá, querido visitante! - NOTA IMPORTANTE
Você é muito bem vindo aqui em meu quarto. Se desejar copiar algum dos textos que eu, Aline Menezes, escrevo, favor creditar com meu nome, nome do texto e endereço do blog.
Plágio é crime. No Código Penal Brasileiro em vigor, no Título que trata dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual, nós nos deparamos com a previsão de crime de violação de direito autoral – artigo 184 – que traz o seguinte teor: Violar direito autoral: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.  Então, não Plagie!

Internet - O Filme

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